Ou poderia dizer, te motiva. Já pensou no porquê de estarmos aqui? To falando da vida. Mas também pode ser sobre, porque estar na frente desse computador . Por enquanto não quero falar das coisas que te desmotivaram, apesar de acreditar que as duas caminhem juntas e se separam num segundo, em algum momento crucial o qual às vezes nem percebemos. Isso pode parecer muito complexo. Te digo que deveria ser simples e claro. A final você é quem manda em sua própria vida e domina tudo que acontece nela. Sabe muito bem como ela chegou até esse ponto e pra onde ela vai. Correto? Nem sempre. ..Lembra de quando você era criança? Não se aprofunde muito nessas lembranças. É uma etapa delicada de "ser humano" em que não se tem muito direito de escolha em quase nada que deveria te dizer respeito. Você simplesmente nem escolheu nascer! É isso que todo adolescente diz pros pais, pelo menos uma vez na vida. Se não diz, pensa. Mas essa fase, também passa. O fato é que mesmo que, mesmo sem saber, e talvez por instinto animal de defender a sobrevivencia da espécie, você é parte do esperma, de seu pai, que chegou primeiro e fecundar o óvulo se sua mãe. Parabéns! E as escolhas que vocês fez daí pra frente? Se pensar nos lugares que você já foi, as pessoas que você conheceu, certamente não haveria espaço, nem num HD externo de máxima capacidade de armazenamento pra tanta informação. HD externo... Essa é uma sacada de mestre que é coisa simples pra muita gente, mas que só adquiri com um amigo antenado por ser cineasta e saber dessas coisas. Parece besteira. Mas eu não tinha ideia do quanto é necessário ter um. Um dia desses eu compro um. E não fico envergonhada com isso. Ignorancia se supera com o conhecimento. Além do mais, sei que não estou só nesse mundo de atrasados. Em um único dia, descobri que dois amigos do trabalho não sabiam que poderiam atender o celular utilizando o fone de ouvido sem o desligar, só apertando um butãozinho instalado no fio. E eu que pensei ser a única tapada quanto a utilização das maravilhas da modernidade. Essas coisas fazem muita diferença na vida de alguém. Um amigo que dá bons conselhos, um HD externo pra não perde as lembranças ou trabalhos que um dia farão parte de uma exposição quando você criar coragem de fazer colocar seus projetos em prática. Falar sem desplugar o fone de ouvido do celular e continuar segurando com as duas mãos enquanto o motorista do ônibus conclui a curva fechada em alta velocidade, sem se arrebentar no chão porque soltou as mãos pra atender o telefone pensando que ser o patrão ou a patroa. O fato é que todas as escolhas são caminhos traçados por cada um de nós. E as coisas ao nosso redor falam mais de nós do que quando abrimos a boca. Por isso escolhi essa cara pro meu blog. Não é a foto do meu quarto. Nem de longe se parece com o meu quarto. Mas olhando pra ele acredito que poderia o ter como meu quarto se preciso fosse. Tem mistério e memórias póstumas esperando que alguém as chafurde.
Pensando nisso tudo e em outras coisas que não me lembro agora, é que numa noite sem importância nenhuma, fora o fato que vou relatar agora, é que resolvi começar a escrever sobre minhas memórias. Que na verdade são coletivas. Fui inspirada por uns livros que havia acabado de ler. Os lia alternadamente pra não enjoar de nenhum deles. Tenho essa mania. Uns dizem que sou frívola, eu digo que é estratégia. O fato é que a presença marcante do gênero feminino, a importância dos lugares onde as histórias se passaram, as estratégias despretensiosas de sobrevivência dos personagens me inspiraram. Em fim! Porém eles são bem diferentes uns dos outros, mas tinham suas similaridades em alguns pontos. Um dos livros foi: "A menina que roubava livros". É a história de uma pobre, porém saudável menininha alemã, filha de prováveis judeus que por ser cria por uma mãe sozinha e ter um irmão doente é entregue em adoção a uma família também pobre, porém, puramente alemã. Passando por vários locais, inclusive um cemitério onde é enterrado seu irmão ainda criança durante uma viajem de trem, ela encontra seu primeiro livro no meio da neve "O manual do coveiro", livro com o qual ela aprenderá a ler durante muitas madrugadas num porão frio auxiliada por seu novo pai, um amável tocador de acordeom que pinta paredes quando os nazistas o deixam faze - lo já que não entrou para o partido. Tudo isso é contado de forma muito particular. A relação com cada um dos lugares onde estivera, com as pessoas que cruzaram sua vida e com o peso da 2ª guerra narrados lindamente e com suavidade, pela sempre presente e nunca bem vinda morte. O outro foi "Minha vida com Pablo Neruda" escrito pela viúva dele que narra a história de amor que tiveram juntos descrevendo vários lugares em que se amaram, começando a história a partir da morte de seu amado amante durante o golpe militar no Chile na década de 70, dando início a uma vida de aventuras à uma moça que se julgava fútil e totalmente alheia à política enquanto ele se deliciava e a amava cada vez mais ao ouvir suas ingênuas porém sofridas histórias da infância vivida somente em compania da mãe super cuidadosa e leal aos seus princípios. O outro foi "O grande Mentecápto", a história de um matuto de Minas Gerais, o Vira Mundo andarilho, poeta, um verdadeiro maluco romântico e aventureiro que na sua simplicidade viveu ingenuamente, colecionando histórias e amigos pelas redondezas, indo parar até mesmo em um manicômio e comandando uma revolta dos malucos, que não durou muito tempo, mas que foi uma grande empreitada. Termina morrendo covardemente pelas mãos de seus próprios irmãos que não o reconhecem ao retornar à sua terra exatamente pra esperar morte e rever o lar onde cresceu.
Dou meus primeiros rabiscos e sou chamada pra participar de uma oficina chamada "Apalpe - A palavra da periferia" com Marcus Vinícios Faustini. Me lembrei então que um ano atrás esse mesmo cara me mostrou que eu tinha muita coisa pra contar, fazer e mostrar. Foi durante uma palestra que deu no curso JPPS (Jornalismo de Políticas Públicas) da UFRJ. Ele é autor do "Guia Afetivo da Periferia" onde conta os rolés que dava de ônibus pelo Rio, saindo da Baixada onde morava com a Mãe o padrasto. Preciso dizer mais!? Esse livro instigou minha vontade de escrever.
No início de meus escritos falo mais precisamente sobre as coisas que me rodeiam. Detalhe de uma foto, a importância de minha luminária. Essas coisas... Então as outras coisas, as que estavam na memória, empoeiradas pelo tempo vão emergindo. E daí tudo o que escrivu pode nõa ser mais sobre o que quero escrever. Tudo modou e pode continuar mudando.
Fui para a seleção da oficina:
Incrivelmente, a primeira tarefa para a seleção dos participantes era levar um objeto que tivesse valor afetivo e fosse vermelho ou verde. Objeto! Não vi isso no e-mail e não levei objeto nenhum. Então, em sima da hora fiquei sabeido e por sorte havia ido com uma blusinha verde por sima da roupa que me lembra uma loucura de amor que se fosse pelo brechó da igreja onde compre a blusinha verde e mais 59 peças por R$ 01,00, seria uma viajem totalmente perdida para Areal, um lugarzinho lindo na Serra, próximo à Cidade de Petrópolis no Rio de Janeiro.
Simplesmente um enorme desejo de comunicar, como disse ter sentido Carlos Drumond de Andrade ao ver pela primeira vez um quadrinho no jornal lido por seu pai, já fosse o bastante. Então lhes contarei o epsódio da blusinha.
A viajem quase perdida
Estava morando com Manoel, um amigo de infância que de tanto insistir acabou ganhando meu amor. Ainda no comecinho do relacionamento ocorreu que uma tia dele, que morava na região serrana em Areal, próximo à Petrópolis, passou por uma operação. Então ele foi visitá-la e encontrar sua mãe que já estava lá fazia uma semana. Eu não pude acompanhá-lo. Tinha minhas obrigações na cantina que a mãe dele tinha na escola em que nós dois estudamos desde bem pirralhos até a extinta oitava série, e com a faculdade que cursava na época.
Minha mãe estava morando em Petrópolis e eu fui visitá-la. Coisa que fiz muito poucas vezes por conta do frio nada agradável. Mas estava sozinha em casa, o tempo chuvoso e não me agüentava de saudades dele. Então resolvi fazer uma surpresa de amor.
Mesmo sem saber onde era a casa da tal tia entrei num ônibus velho de banco duro para me aventurar em uma viajem de mais de uma hora. Mas o amor e a paisagem me deram forças.
Sabia que o lugar era pequeno e que seria fácil encontrar a família perguntando no primeiro boteco que encontrasse na esquina. Mas não imaginava que seria tão fácil encontrar o Manoel. Ao descer do ônibus dei de cara com um bar onde ele estava sentado bebendo com um homem mais velho. Ele estava de costas e não viu eu me aproximar. Aproveitei para pega-lo de surpresa tapando-lhe os olhos. Quando ele se virou e me olhou de frente, deu um sorriso amarelo, se despediu do homem, pagou a conta e me perguntou: O que você está fazendo aqui?
Aquela pergunta me desmoronou totalmente. Balde de água fria total. Seguimos pra a casa da tia. Chegando lá um bando capiau nos recebeu com a hospitalidade corriqueira. Eu fiquei ali igual a um peixe fora d’água e sem saber o que tinha ido fazer lá. Minha sorte foi uma igreja católica que ficava colada à casa da tia. Não... Eu não fui rezar. Havia um daquele típico brechó. de igreja. Porém nesse dia estava fechado. Mas uma pessoa que era responsável pelo bazar, sabendo que eu era do Rio fez a gentileza de abrir a porta pra mim. Me vi dentro de uma grande sala com uma quantidade incontável de roupas, sapato, lenços e acessórios. Adoro brechó! Me sinto uma verdadeira garimpeira e naquele lugar achei casacos de lã, um outro da Yes Brasil, um óculos de ótima qualidade, vários lencinhos, botas de couro legítimo, entre outras peças incluindo a blusinha verde. Comprei umas 60 peças, cada uma por módico R$ 01,00. Encontrei o motivo pelo qual fui parar naquele lugar. O amor não durou muito. Já era de se esperar. Mas as roupas...
Não me arrependo de nada que fiz por amor ou por burrice. A coragem é enfrentar os medos e pra esse tipo de pessoa sempre existe uma recompensa. É só olhar em volta e verá, sempre um belo motivo pra estar em algum lugar ou fazer alguma coisa como simplesmente continuar vivendo e buscando ser feliz, independente dos desejos alheios.
Quero opiniões, comentários, críticas. Estou pegando tudo que vir pra aprender mais e sempre.
Quero me movimentar e te levar comigo. Seja de bike, de bic, de byte ou de buzú, de taxi ou trem, de carroça ou avião, ou de pé mesmo... O importante é se mover na vida. Mesmo que seja só com os dedos em cima do teclado ou com um piscar de olhos desvairados. Se comunique.
;-)
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